A derradeira aventura de um dos maiores ícones da Marvel Comics é conseqüência da saga Guerra Civil, maior evento editorial da “Casa das Idéias” nesta década. A história principal foi contada em uma minissérie de sete partes, escrita por Mark Millar e desenhada por Steve McNiven. Os títulos mensais, por sua vez, mostravam a repercussão dos fatos para a vida particular de cada herói ou equipe.
A trama de Guerra Civil gira em torno da criação, nos Estados Unidos, da Lei de Registro de Super-Humanos. O ato obriga todos os humanos com superpoderes a se cadastrarem junto ao governo, sendo obrigados a revelar sua identidade secreta e encaminharem-se para um programa de treinamento, a fim de exercerem funções em órgãos de segurança oficiais.
Tomando uma conotação bastante política, a história divide os heróis em grupos contra e a favor da nova lei. Tony Stark, o Homem de Ferro, encabeça os apoiadores do registro. O Capitão América, por sua vez, lidera a resistência contra o ato, entrando para a clandestinidade.
... e um Capitão sem guerra
Eis onde resiste a mágica da excelente safra de histórias recentes do Capitão. O aclamado escritor Ed Brubaker (Demolidor; Gotham City Contra o Crime) conseguiu imprimir uma inédita profundidade à saga de Steve Rogers. Em suas mãos, o bandeiroso é sim, uma figura icônica, representante do tão falado (e pouco discutido) sonho americano. O grande questionamento, porém, se dá quando o herói é perseguido por um dilema: como ser um soldado fiel a seu país, se uma política adotada de repente em seu país parece flertar com o totalitarismo e ir contra os próprios ideais sobre os quais a nação foi fundada? O Capitão deve servir ao governo que jurou obedecer ou aos ideais de democracia e liberdade que ultrapassam esta ou aquela gestão, compondo o próprio imaginário de seu povo?
Ah! E tem um mais um detalhe. Muito importante, aliás. É que a tais dúvidas soma-se um fato inegável, decisivo: o Capitão América é um anacronismo.
[Atualização: Memo - Origem - Durante a Segunda Guerra Mundial, o jovem recruta Steve Rogers se voluntariou como cobaia para um experimento do Exército: o Soro do Supersoldado. A substância transformou o franzino rapaz na mais perfeita máquina de combate dos EUA: o Capitão América. Depois de ajudar os aliados a vencer o conflito, o Capitão dedicou-se a combater o crime, até o dia em que desapareceu em missão e foi dado como morto. Nos dias atuais, Steve foi encontrado congelado, em animação suspensa, e reanimado pela super-equipe Os Vingadores, ao lado da qual combate o crime].
Steve Rogers representa uma época em que, para um jovem idealista americano, era mais fácil decidir que rumo tomar na vida. Afinal, de um lado ele possuía toda a ideologia de aparente liberdade individual e democracia que criara sua identidade, enquanto no outro front o nazismo se apresentava como um sinistro inimigo a ser combatido.
Por todos esses motivos, percebe-se que tanto a trama de Guerra Civil quanto do título-solo do herói são desenvolvidas de tal maneira que o desfecho apresenta-se como uma das poucas, senão a única, solução plausível.
E mais: Novos Vingadores, Illuminatti e Miss Marvel (legaizinhas também, mas nem estou a fim de falar...)

