Mostrando postagens com marcador EUA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador EUA. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Um pouquinho de humor cético em meio à mesmerização obâmica

Obama assumiu ontem a presidência dos EUA e 99,9% da mídia e dos opinativos de plantão continuam protagonizando um baba-ovismo de proporções gigantescas.

As expressões "nova era" e "momento histórico" nunca estiveram tão presentes nos diários de notícias. Antigamente, serviam para que historiadores olhassem para o passado e assinalassem um conjunto de fatos que realmente causaram um impacto relevante em uma sociedade. Algo que poderia se observar nos acontecimentos POSTERIORES.

Mas objetividade é coisa do passado quando o assunto é exorcizar Bush, eleito pela imprensa como senhor das trevas e personificação de todos os males do mundo. Por isso, dá-lhe risonhos jornalistas que se auto-proclamam arautos da imparcialidade, mas acabam fazendo o papel de bardos da mudança (CH-CH-CHAAAAANGE!!), anunciando as qualidades lendárias de um personagem mítico. Do qual, aliás, efetivamente pouco se sabe e que sequer foi posto à prova. Mas e daí, né? O cara tem carisma, fala muito bem e é negro! Taí três características objetivas que definem a competência (futura) de um chefe de estado.

Sem mais delongas, confira algumas charges que remetem ao saudável e combalido exercício do ceticismo jornalístico:

- Obama é oficialmente o presidente! Cadê a música? As borboletas? Os azulões? PORQUE NÃO É PRIMAVERA?
(por Dana Summers)

- Agora que você fez o juramento como presidente, você poderia nos contar logo... Quem é você?
(por Ed Gamble)

- Repita depois de mim, eu, Barack Hussein Obama...
- Psst... Você sabia que esse livro é sobre mim?
(por Gary McCoy)


"O Topo da montanha"
(onde está escrito "expectativas")
(por John Cole)


Fonte das charges: townhall.com

sexta-feira, 28 de março de 2008

Um desabafo sobre política e a tal mania de sermos simplórios (atualizado dia 21/01/2009)

Foi com agradável surpresa que hoje li um importante discurso do senador e pré-candidato democrata à presidência dos EUA, Barack Obama. Pronunciado dia 18 de março, na Filadélfia, trata com despudorada honestidade da questão racial. A declaração surgiu após uma polêmica envolvendo o pastor da Igreja que Obama frequenta, o reverendo Jeremiah Wright, que afirmou em alguns de seus sermões que os Estados Unidos são um país fundamentalmente racista. Disse também que os negros deveriam dizer "Deus amaldiçoe a América" em invés da tradicional fala nacionalista, "Deus abençoe a América".

Como já era de se esperar, as declarações do líder religioso foram amplamente exploradas pelos adversários do senador na corrida à Casa Branca, que procuraram associa-lo às inflamadas pregações de Wright.

Agora, talvez você se pergunte: porque acho este discurso de Obama tão importante? Porque, sem apelar para uma ideologia partidária rasa, o pré-candidato analisa a questão do preconceito contra as minorias de uma forma sensata e auto-reflexiva. Algo diferente do que estamos acostumados a presenciar habitualmente na política. Ou seja: sem se apegar aos estereótipos, velhas mágoas ou reducionismos históricos.

Caramba, isso é tão diferente do que vemos, todo santo dia, sem trégua, aqui no Brasil!

Estou cansado de presenciar o velho discurso materialista-histórico da esquerda, que reduz tudo à eterna e segregacionista luta de determinados grupos contra o "capital". E também estou farto desta dita "direita" tupiniquim, de raciocínio tão simplório, que só procura soluções e alianças fáceis.

Engraçado notar a tendência que impede ambos os grupos de ampliar um pouco mais o horizonte de seus discursos, reavaliar posições e desenvolver um raciocínio mais refinado: trata-se da mania de desqualificar o adversário, pelo simples fato dele pensar diferente.

É tragicômico ver os debates políticos, seja no plenário, nas faculdades ou nos fóruns de internet, serem reduzidas, no final das contas, a ofensas idiotas como “aliado do sistema”, “burguês”, “vagabundo”, “baderneiro”... A lista de clichês é maior do que um episódio da Turma do Didi.

Olha: eu sei lá se o Obama conseguiria colocar em prática pelo menos 10% de sua política de integração nacional para os EUA. Como brasileiro, também não concluí qual candidato seria mais favorável à política internacional referente à nossa nação: Barack, Hillary ou John McCain.
O que importa pra mim neste discurso não é especificamente um posicionamento político. Eu postaria mesmo se fosse de algum texto obscuro de um orador desconhecido. A questão é que que ele traduz uma atitude política que me importa: não se apegar às fórmulas mágicas de gestão, lidar de forma sensata com as diferenças de pensamento, não deixar que sua posição (intelectual, emocional, social) o torne um conformista. Enfim, me fez lembrar que uma democracia de verdade não se constrói em cima de velhos clichês e preconceitos, mas com empenho de todos os setores da sociedade.


Link: texto do discurso, traduzido para o português

Nota posterior (21/01/09):

Revisitando:

Voltei neste post quase 1 ano depois, e um dia após a posse de Obama, pra conferir se meu texto tinha deixado alguma possível interpretação favorável ao então candidato. Ao meu ver, acho que fui claro ao dizer que o que me atraiu no discurso foi a reflexão sobre a questão racial e a importante conclusão de que a história não deve ser reduzida a algo simplório e facilmente inteligível.

Mesmo assim, hoje reconheço uma grande ingenuidade na análise realizada. O porquê é simples: como Obama poderia frequentar por vinte anos a referida igreja, que sempre contou com o mesmo pastor, e não ter consentido ou concordado com seus discursos?

Se antes minha opinião particular era neutra, posteriormente cheguei à conclusão de que McCain seria um melhor candidato que Barack Obama. O que não me impede a continuar admirando as qualidades retóricas do agora presidente democrata, algo que creio, ainda será objeto de muitos estudos em comunicação social, principalmente na área da publicidade e propaganda. Fica a torcida para que os EUA se dêem bem, pois o país é referência fundamental não só para a economia mundial, mas para a democracia como um todo.

Enfim, certamente poucas pessoas lerão este adendo, mas queria deixar claro meu posicionamento.